Keblinger

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da doação...



Ninguém pode ser feliz pensando só em si, sendo egoísta, invejoso...

"Ninguém pode ser feliz não se doando, não amando e vibrando com os seus...
A vida traz de volta o que tem no nosso coração, a vida traz de volta o que a gente não dá. Ela vem de volta no mesmo ritmo que a gente a navega, no mesmo tom de voz... Quem abraça forte, recebe um abraço forte de volta.
Ninguém pode ser feliz sendo pequeno, dando pouco, não se importando com um irmão.
A vida é mesquinha e triste e solitária para quem não tem luz no coração.
A luz? Vem do amor, da doação, de pequenos gestos de bondade gratuita e verdadeira. Quando a gente ajuda, a aura se ilumina. Quando a gente ama, o espírito se enriquece.
A verdadeira riqueza não é material, é o que a gente deixa nas pessoas.... são as pessoas que nos amam e cercam... Ninguém pode ser feliz sendo um.
Quanto mais você dá, mais você se multiplica... você fica no coração de muitos. Você é amado e querido. E isso, não tem preço. É intransferível."
 (((Carolina Salcides)))

Emoções...



"Aprendi a amar, a sentir a maior felicidade do mundo... Vislumbrei o paraíso e o néctar do divino... Aprendi a sonhar acordada, a querer antecipar as chegadas...
Eu senti a maior ansiedade, senti a realidade e a totalidade da vida.
Eu senti o completo, o místico e o concreto... e o sutil escapar por entre meus dedos...
Aprendi a sofrer, a sentir o choro forte, aprendi a prendê-lo. Eu senti a maior tristeza do mundo, senti o vazio e o céu distante...
Aprendi a ficar em silêncio, a aceitar as perdas e brincar com o tempo. Eu aprendi a ser
Eu... a sentir todas as emoções sem ter vergonha ou medo delas. Aprendi que a sensação de fraqueza é um lampejo para eu encontrar a minha força.
Porque aprendi a ser assim: viva e com emoções... ♥

 (((Carolina Salcides)))

Sensibilidade

Ela brota dos meus poros, me faz chorar e rir por coisas tão pequenas... Me faz sonhar grande! Ela me faz ver além, querer ir fundo, sentir o que passa no teu coração e me despir de primeira pra quem me dá a mão. Ser sensível requer coragem, não de músculos, nem lágrimas, ou força... Mas entregar o coração e sentir o do outro... Sentir as pequenezes da vida, dos pequenos seres, sofrer e amar tudo que vibra. A maldade ínfima se torna imensa e uma formiga se torna um leão. Toda vida que sofre me dói e meu coração quer salvar o mundo.

Essa intensidade assusta, dá vontade de sair entregando flores pra todo mundo, e, ao mesmo tempo, vontade de esconder e conter isso tudo para não parecer boba. Cabe tanto segredo aqui dentro, tanto amor, eu guardo a sete chaves tua vida, mas tenho medo de falar da minha.... Parece que as pessoas não guardam mais nada.... É muita coisa compartilhada, e eu sou uma ET por achar que privacidade é "coisa privada"....

Essa capacidade de sentir, devia ser dosada, deveria ser possível escolher o que sentir... Nossa! Eu sinto de tudo, num TODO, tão forte que acho que não SOU mais, eu SINTO. (...)
Em tempos de dedicação e docilidade escassa - pois nunca se tem tempo e o olho vê só o umbigo - esse amor e esse sentir tão claro e desprendido chega a assustar.... Um elogio é estranho, é mais fácil criticar......

 Eu quero esse  cuidado espontâneo com os outros, comigo. Tenho vontade que ninguém sofra por nada. Ser sensível aqui na terra dói, requer muita coragem. Muita. Toda hora.
Sinto saudade do verdadeiro, dos laços fortes, de antigamente, de gente madura e inteligente, da bondade que anda tão minguada, mas que noto estar crescendo em algumas pessoas... Sinto falta de bom senso. Ai, como eu sinto....

 Estou muito emotiva, nostálgica, apaixonada...Sinto uma saudade de fazer a alma marejar, de um lugar que não sei onde é, mas que existe.... De alguém que foi e sinto todos os dias a falta... Sinto vontade de estar lá... Quando chega esse sentir, eu experimento, com toda a dor e verdade como saboreio a felicidade.

Não se admire se eu me afastar... Porque estou me aproximando do que vibra em sintonia comigo...Cada dia meu coração busca o completo, ele está cansado de pessoas mesquinhas, de fofocas e julgamentos, as pessoas mostram aparências; eu quero essência... Estou buscando o simples, a minha liberdade, o caminho do meu coração e amigos de verdade.

Eu até já tentei ser diferente, fazer o que não gostava, suportar o que achava errado, me calar, baixar a cabeça, agir como queriam, fazer de conta que não vi, não senti.... Mas eu vi, eu senti. e SINTO...

Não tem mais jeito: só consigo ser de um jeito: igual a mim!

Carolina Salcides

Doce




Para voar, às vezes precisamos só de um empurrão; para cair, também.
Precisamos de amigos, amor. Coragem também. Se sozinhos, a busca é mais funda, e é toda nossa... (mas a vitória terá outro sabor). Eu quero esse sabor!


Hoje eu quero o que vale a pena... o que faz sentido... e o que não faz também  (mas que te leva para teu destino).
Caminhar só por caminhar é perder o sagrado - o Tempo Sagrado
Quero o meu destino, e ele é doce.

(((Carolina Salcides)))

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Amaranta


Tudo ia para o lugar... Quando ela passava as pedras soltas faziam canteiros e a noite caía para ela brilhar. Seu lugar era incerto, seu amor forte e a arte infinita. Pintava tudo de lilás e pisava em folhas secas e as bolhas de sabão enfeitavam o ar. Porque a arte é a expressão plástica do espírito, e o seu, era claro e transparino como as águas curiosas de uma nascente que corre em cascata pela grama ainda virgem.

Tudo se acalmava quando ela passava... As folhas revoltas, e o vento em fúria, faziam chover em sua alma gotas ácidas que destruiam sua natureza sutil. Ela chorava, mas ela era forte. Ela enfrentava toda matéria, todo o invisível e o imaginário. Foi então que o vento sussurrou... Ele a viu passar. Quando o vento se acalmou ela saiu e o enfrentou... E toda a natureza silenciou-se.

Tudo vibrava a seu favor... Ela não percebia, mas as pontes desciam para ela seguir... Caminhos eram inventados e as asas cresciam em suas costas. Ela atravessava o preto, a ponte em neblina e a estrada infinita. Mas sabia que chegaria em algum lugar... Uma borboleta azul lhe disse: "Nada há de te fazer parar quando segues o caminho que faz teu coração vibrar." E ela nunca parou.

Os prazeres eram aumentados, e o choro, e o riso e toda sua sensibilidade. Ela era flor e fogo e o olhar dizia muito. Ela fazia do pouco um lugar confortável e de um gole, uma vida toda. "Quente tão húmido quanto a paixão... Fresco como um mergulho invernal do lago... Dois prazeres sorvidos em um chá..." E isso, bastava.

As coisas eram mais lindas quando ela estava perto... A chuva era mágica, a casa mais alegre, os cantos da casa riam quando ela pisava e as paredes mudavam de cor. Ela dizia que "0s maiores segredos escondíam-se sempre nos lugares mais inverosímeis." Ela era o segredo.

Quando ela se revelava, fazia com maestria e graça. Foi presa, podada e ainda assim, cresceu. Porque a luz cresce depois de comprimida... Revela-se, explode como uma estrela milenar e todo o céu a contempla. Um senhor me disse: "Ela livrou-se das amarras e só o que restou na cela foi o eco de um grito profundo no interior das pedras... O castelo desconstrui-se. Ela riu, parou e fez pose para a vida que a esperava..." Assim era ela.

As coisas renasciam por suas mãos... O seu olhar curava e as palavras preenchiam os espaços vazios.... Ela podia estar só, mas logo os pássaros se chegavam, e as abelhas, pirilampos, fadas e mariposas... Seres alados faziam círculo ao seu redor. Porque "na solidão de certos dias, eu me invento." dizia ela. Assim, ela se reinventava.

Ela pisava o mundo colorindo o caminho... acreditava na magia da vida e, nas sementes plantadas... Deixou seus dizeres espalhados pelo vento; quem presta atenção ainda a escuta. E quem não crê na magia, nunca a encontrará.

Carolina Salcides

Minhas Horas

A luz e a sombra estão em mim. Preste atenção aos ponteiros do relógio, as estações do ano e nas fases da lua. Saberás quando serei minha e quando serei tua. Saberás quão forte brilha meu sol e sorriso, terás o calor, o corpo e o amor na medida que abrir seus olhos ao sutil. "O essencial é invisível aos olhos"... Os detalhes sempre passam despercebidos e são eles que no fundo contam, são eles que derrubam ou levantam.
O ponteiro na hora certa faz trepidar meu relógio, faz eu despertar ecoando o canto das sereias e faz eu te conduzir a lugares nunca antes revelados. Meu corpo é um relógio, uma bomba, uma rosa.
A sedução e o mistério te atraem, sei que primeiramente vens pelo meu brilho e pelo meu desenho de fêmea, mas não sabes que sou alma antiga, alma guerreira, alma ferida. Tenho meus medos, fraquezas e fúrias... São tantas as minhas ruas e todas elas se encontram. Por quais queres andar, que horas, que lua, que mulher vais querer?
Acharás o caminho da cura, do prazer, da liberdade, mas todos eles te guiarão à perdição. Não voltarás, não quererás voltar... e se regressar ao teu mundo, não serás mais o mesmo; não desejarás pouco, minutos não serão suficientes, desenhos, curvas e brilhos serão ilusórios, buscarás uma mulher para todas as horas, para todos os caminhos e prazeres, para teus risos e lágrimas, para teu corpo, sexo, mundo... E segundamente virás... não pela magia cintilante e curvilínea, mas pela essência antiga e pontual de uma mulher para todas as tuas horas.

Carolina Salcides

Amanhecer

A face oculta quer se revelar... Despe-se de seus trajes e sai do quarto. Mostra-se ao mundo para ser contemplada, pois ela forma o todo que compõe o ser. Estranho ser revelado, toda luz e beleza conhecida mas e a fera escondida, e a luxúria, as facetas, toda preguiça e a gula, e os pecados escondidos? São sombras que a espreitam pela rua. São os olhos que a imaginam nua. Às vezes ela se mostra na mais estranha luz e deixa rastros para que a salve.
Ela quer se revelar, aflorada e ousada já não tem mais pudor. Já não afugenta mais palavras proibidas, mostra-as numa intimidade inesperada e diz “essa sou eu”. Nas deliciosas curvas e nas neófitas rugas, desde o início da sedução na janela até quando chora escondida, todos os sinais são dela.
Ela dá a face direita e a esquerda, para que bata ou beije, ela revela seu infinito, seu sexo, seus medos. Ou você a ama ou a odeia. Se a amar, ame-a na noite escura até a aurora, pois a luz do amanhecer revela todo um espetáculo de magia, beleza e mistério.

Carolina Salcides

Rosa

Para me amar é só começar, para manter-me em teu canteiro é só regar. Estarei sempre bela rosa lá; até o dia em que não estarei mais. As lágrimas em rosas murchas servem apenas para virar arte, tocam a alma mas não reavivam a lenta morte.
Seca estarei aos poucos se teus ventos não me sacudirem, seca estarei se teu sol e tua chuva em mim não mais tocarem. Admirar é fácil, prender também, mas por pouco tempo, pois meus espinhos te ferirão e minhas pétalas uma a uma cairão por entre teus dedos.
Cultive o amor como cultivas uma rosa. É preciso paixão e maestria, paciência e ousadia. A rotina morna mata lentamente e minhas queixas virarão prosa.
Ame-me com a fúria de um mar em dia de tempestade, morda minhas costas como um leão faminto e me leve ao parque para sentar ao teu lado na grama. Serei tua cúmplice de banheiro, companhia de cozinha, parceira de aventuras e tua amante na cama; a Deusa, a bruxa a mucama.
Esteja atento aos sinais meu bem, sinta meu corpo, meu beijo, decifre meu olhar. Estarei sempre exalando para ser cheirada, sempre rubra para ser notada, sacudirei cabelos e pétalas, dançarei ao som do vento para que me queiras, usarei a melhor seda para te celebrar.
Ame-me como sou, ame o melhor e o pior de mim, eu sei quem sou e não minto; porque mentir para si mesma é como a rosa querer acreditar que não tem espinhos.

Carolina Salcides

FEMININO PLURAL

Uma fada é uma mulher e uma mulher é uma fada e mais tudo que quiser. Uma mulher não é só ela, só uma. Uma mulher não se define. É um ser sublime, indefinível... Uma mulher tem muitas faces, muitas vidas dentro dela, muitas fases e amores. Tem também muitas dores
e muita garra, cabelos, pele... Muitos olhares (num deles você se perde)... porque ela é o caminho e também a perdição. Ela é pura química, magia, alquimia... Ousadia! Ela é intuição, feitiço, furacão. Possui muitas definições, qualidades, defeitos, atribuições. Uma mulher não é simples. Nem por dentro nem por fora.
Uma mulher é virgem, mártir, santa ou bruxa ou todas elas ao mesmo tempo. Uma andarilha sempre em busca, uma guerreira sempre em luta. Luta por si mesma, por suas crias, amores. Luta por seu mundo. Dia a dia, a cada segundo. Sua busca é eterna. Mulheres nunca estão satisfeitas. Sempre há algo a fazer, a aprender. Amor para dar, buscar ou compartilhar. Possuem uma capacidade de dar sem pedir nada em troca, um amor sem limites. Mulheres não possuem limites. Vão além das barreiras, sempre - A apaixonada, a ferida, a mãe, a amante. Não há ruas sem saída para essas mulheres.
As mulheres possuem asas, por isso as chamo de fadas, porque encantam, porque sempre vão além, porque são belas. Mas são bruxas também, voam de dia, enfeitiçam de noite, são ciganas, não têm raiz, espalham suas sementes por terras, seu perfume pelos ares, espalham seu amor pelo mundo, são provocantemente únicas, dançam, cantam enquanto arrumam a casa, celebram pequenos detalhes, admiram a lua. Elas se dividem, elas possuem muitas mulheres dentro delas.
E é preciso conhecer e aceitar cada uma. Uma mulher que se conhece e se permite vai em busca do prazer completo, do amor ilimitado, da paixão que cruzou seu caminho... Uma mulher que se permite, ousa, arrisca e acredita. Vai em busca de sua natureza, de sua essência. Ela busca o verdadeiro. Justificando assim sua existência.

Carolina Salcides

Na Janela

deixando fluir... Sombras se escondem atrás do meu sorriso, eu mostro somente o que quero. Sou uma janela translúcida, deixo a luz passar por mim e compartilho-a com você, mas você não me vê. Não sou nítida, mas deixo tudo evidente. Mas isso é para quem sente e pesca no ar, pois as palavras enganam, as imagens também, como um cigarro relaxa, e mata também....
Posso ser tanta coisa, e sou. Doce ou amarga, submissa ou quem manda, posso lucilar ou ofuscar, dependo da lua, da temperatura, da demanda. Tenho meus dias de Deusa, tenho noites mal dormidas, mal comidas, noites de pesadelos, manhãs em que acordo e me olho no espelho, branca, com olheiras, descabelada, e me pergunto: Onde foi parar a Deusa da noite passada?
Ah meu bem, eu sou o que sou, mas finjo também. É preciso mistério e provocação, mostrar o que se deve e ocultar o que não. Sou uma mulher incomum sim, mas veja que o comum está contido no “in”. Há dias que serei cinza e em outros carmim. Hoje estou amarela, não me pergunte nada, sei que não gosto de meio termo, mas hoje estou assim, nem em casa, nem na rua, estou na janela.

Carolina Salcides
 

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