Keblinger

Keblinger

De molho

de molho... Estou de molho... No meu inferno astral (dizem que dura um mês até chegar seu aniversário), que período esquisito esse, acontece de tudo e ao mesmo tempo não acontece nada. Tudo fica lento, fora de controle, tudo se dissolve e novas coisas surgem; resgates passados, pressões futuras, loucuras presentes.
Estou tentando não enlouquecer nesse momento. Tento escrever, criar, "desopilar", mas não dá. Não sai nada... Onde foi parar a poesia? A inspiração, a alegria? Minha mulheres fugiram, deram as mãos. Só o que me acompanha é a nostalgia. As palavras silenciaram dentro de mim. O cabelo solto virou coque. Ando emburrada e com a unha clara. Meu reflexo não é mais o mesmo, a gente muda e não se da conta, mas o importante é não se perder, e acho que estou me perdendo...
Onde foram parar minha dança, meu riso, minha criança? Deram as mãos para minha senhora forte e corajosa e fugiram. A criatividade está dormindo, Afrodite, fingindo. Minha guerreira baixou a guarda, a cigana baixou a saia. Como posso ser eu se estou me dissolvendo? Estou comportada, quieta e sofrendo. Sim, é possível, Deusas também choram... Poetas também se calam, mulheres lindas têm crises e borboletas enfraquecem.
Estou de molho, e vou ficar até enrugar os dedinhos... Quanto mais tempo de molho, melhor o caldo.

Carolina Salcides

2 comentários:

  1. cachoeira4:22 AM

    Vai dar um bom caldo, então!!

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  2. Esse caldo tem gosto de vida, mesmo que haja perdas, ilusões se dissolvendo e silêncios. É a vida, nem sempre linda, mas sempre bem-vinda. Muito mais ainda nas absolutas, nos seus ciclos de morte e vida, de lutas ou de guarda baixa, de afrodite fingindo ou tremendo toda na hora do Melhor.
    Esse caldo tem gosto bom. Muito bom. Bem aventurados os que te conheceram nesse planeta ensolarado, nessa vida aluada.

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